A criança amamentada exclusivamente até os 6 meses de vida, por uma mãe bem nutrida, não necessita de suplementação com vitaminas, com exceção da vitamina K (administradas nas maternidades após o parto) e da vitamina D em situações especificas.

As crianças não amamentadas, a insegurança e o desconhecimento dos pais em relação à necessidade de ingestão de alimentos de seus filhos acabam levando-os a suplementar a dieta das crianças com preparados multivitamínicos, para compensar uma recusa alimentar ou mesmo pela crença de que tais produtos venham a aumentar seu apetite ou engordá-los, porém isto é um equívoco e pode ocasionar problemas relacionados à carência ou ao excesso de vitaminas.

A criança é especialmente vulnerável à anemia por deficiência de ferro durante os dois primeiros anos de vida, devido ao período de amamentação e à posterior fase de introdução de alimentos complementares, quando deverá ocorrer a introdução apropriada dos alimentos ricos em ferro como carnes e fígado e alguns vegetais que auxiliam o crescimento e o desenvolvimento adequado da criança.

Por isso a suplementação de ferro é importante para todas as crianças de 4 meses se não amamentadas ou a partir de 6 meses crianças amamentadas até os 18 meses e mais cedo para as crianças de baixo peso ao nascer e abaixo de 37 semanas. O sulfato ferroso em gotas é disponível nas farmácias das unidades de saúde. A suplementação apresenta algumas dificuldades em relação ao surgimento de efeitos colaterais indesejáveis e à longa duração do tratamento.

A Suplementação de Vitamina A busca reduzir e controlar a deficiência nutricional de vitamina A que é a principal causa de cegueira evitável no mundo, as doenças diarreicas e as infecções respiratórias agudas, principalmente residentes em regiões consideradas de risco como Região Nordeste, ao norte do Estado de Minas Gerais, ao Vale do Jequitinhonha e ao Vale do Mucuri, além de municípios que compõem a Amazônia Legal.

A concentração de vitamina A no leite materno varia de acordo com a dieta da mãe. Para crianças amamentadas, pode-se aumentar a oferta de vitamina A orientando uma dieta para mãe rica nesse micronutriente (fígado, gema de ovo, produtos lácteos, folhas verdes escuras, vegetais e frutas cor de laranja) ou suplementando a mãe com essa vitamina.

Crianças que recebem leite materno com quantidade suficiente de vitamina A suprem facilmente a necessidade dessa vitamina com a alimentação complementar. Após a introdução dos alimentos complementares, fígado de boi 1 x por semana fornecem a quantidade suficiente de vitamina A para lactentes

Suplementação de Vitamina D tem como objetivo em diminuir o raquitismo atribuído à baixa ingestão de alimentos ricos em vitamina D e à restrição à exposição solar é uma condição prevenível, mas que continua ocorrendo, mesmo em países desenvolvidos.

Os hábitos sedentários, a urbanização e o medo da violência fazem com que as crianças fiquem restritas em casa. A quantidade de luz solar necessária para prevenir a deficiência de vitamina D é de 17min/dia, com exposição apenas da face e das mãos do bebê. Se o bebê estiver usando apenas fraldas, a exposição deve ser de 4min/dia. É importante lembrar que crianças com pele escura podem requerer de 3 a 6 vezes mais exposição do que a indicada para bebês de pele clara para produzir a mesma quantidade de vitamina D.

Recomenda-se suplementação de vitamina D para crianças que tem riscos como prematuridade, pele escura, exposição inadequada à luz solar devido hábitos culturais ou porque se use filtro solar em todos os passeios ao ar livre e filhos de mães vegetarianas estritas que estejam sendo amamentados.

Suplementação de vitamina K ao nascer é profilaxia contra a doença hemorrágica neonatal por deficiência de vitamina K, porém os pais podem se recusar à administração injetável, então deve ser garantido o fornecimento da vitamina K oral (2mg ao nascer), seguido de 1mg/semana durante os 3 primeiros meses.

As doses repetidas são imprescindíveis para os bebês amamentados ao peito. Naqueles com outro tipo de alimentação, poderia ser suficiente a dose inicial.

Suplementação de Zinco previne doenças infecciosas.

A OMS, em seu site oficial, já incluiu a recomendação de suplementar zinco no tratamento de diarreia, além dos sais de reidratação oral.

Entretanto, não há uma recomendação universal quanto à suplementação de zinco para a população brasileira. Portanto o consumo de alimentos ricos em zinco, como carnes, vísceras (em especial, o fígado) e gema de ovo é extremamente importante. Produtos vegetais, cereais e legumes costumam ser pobres em zinco.

Enfermeira Orientadora Paloma Martina Rodrigues Barboza. Especialização em Ginecologia, Obstetrícia e Cuidados em Pré-Natal.

 

Fonte: Ministério da Saúde. Biblioteca virtual em saúde do Ministério da Saúde.

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_crescimento_desenvolvimento.pdf