Muitos estudos realizados ao longo dos anos demonstraram que a incidência de anemia por deficiência de ferro em gestantes era alta e prejudicava tanto mãe quanto bebê. Mediante este problema foi instituído em 2005 o Programa Nacional de Suplementação de Ferro (PNSF) que implantou a suplementação universal de sulfato ferroso em gestantes, principalmente à partir da 20ª semana de gestação até o 3º mês, após o parto ou aborto.

 

A anemia por deficiência de ferro é a carência nutricional de maior magnitude no mundo, sendo considerada uma carência em expansão em todos os segmentos sociais, atingindo principalmente crianças menores de dois anos e gestantes.

 

Embora ainda não haja um levantamento nacional, estudos apontam que aproximadamente metade dos pré-escolares brasileiros sejam anêmicos (cerca de 4,8 milhões de crianças), com a prevalência chegando a 67,6% nas idades entre 6 e 24 meses. No caso de gestantes, estima-se uma média nacional de prevalência de anemia em torno de 30%. A deficiência de ferro decorre, principalmente, da quantidade insuficiente de ferro na dieta para satisfazer as necessidades nutricionais individuais. Como resultado da deficiência de ferro prolongada ocorre a anemia, um dos fatores mais importantes relacionados ao baixo peso ao nascer, à mortalidade materna e ao déficit cognitivo em crianças.

 

O ferro é um dos minerais mais abundantes na crosta terrestre e nos organismos. Participa da síntese da hemoglobina, mioglobina, além de ser co-fator de uma série de reações enzimáticas. Durante a gravidez, vários processos fisiológicos fazem com que a demanda desse micronutriente tenha um incremento significativo, o que torna necessárias maiores ingestão e absorção de ferro. Sabe-se que, durante a gestação, a quantidade de ferro absorvida nos intestinos aumenta, mas, mesmo assim, a maioria das gestantes não ingere quantidade satisfatória desse mineral, o que torna explicável a suplementação oral da dieta com ferro

 

A anemia por deficiência de ferro é a deficiência nutricional mais prevalente em gestantes e qualquer outro tipo de paciente no mundo, particularmente nos países em desenvolvimento. Durante a gravidez, ocorre um aumento significativo na demanda metabólica pelo ferro, decorrente de uma hemato-poese aumentada, que contribui para o estado hipervolêmico característico do organismo gestacional. Além disso, existe um aumento de demanda pelo crescimento do feto e uma necessidade de compensar eventuais perdas durante o processo do parto. No feto, além da formação da hemoglobina, o ferro é essencial para o desenvolvimento do Sistema Nervoso Central através da síntese de enzimas responsáveis pelo metabolismo cerebral

 

É natural assumir, portanto, que durante a gestação a mulher tem risco aumentado de sofrer pela carência desse mineral e essa situação é sabidamente responsável por acometimento da saúde materna e fetal. A deficiência de ferro é correlacionada com aumento da mortalidade e morbidade materna, parto prematuro, baixo peso ao nascer, dentre outros

 

A anemia por deficiência de ferro é um estado carencial em que os níveis de hemoglobina se encontram abaixo de 10,5 a 11 g/dL. Observa-se que, durante a gestação, os limites de referências inferiores são menores que em pacientes não grávidas devido à hemodiluição, que acontece como processo natural no curso da gestação; no entanto, os valores de ferritina, que sinalizam as reservas totais de ferro, permanecem acima de 30 microgramas/litro, como verificado em mulheres não grávidas.

 

A gestante apresenta queda de absorção do ferro no primeiro trimestre gestacional e aumento de cinco e de nove vezes na absorção do ferro no segundo e terceiro trimestres gestacionais, respectivamente. Apesar desse processo fisiológico, estudos nutricionais demonstraram que a maioria das gestantes tem aporte inadequado de ferro na dieta, o que justificaria a suplementação de ferro em gestantes para suprir a demanda desse mineral.

 

Atenção!

 

As crianças e/ou gestantes que apresentarem doenças que cursam por acúmulo de ferro, como anemia falciforme, não devem ser suplementadas com ferro, ressalvadas aquelas que tenham a indicação de profissional competente. Havendo suspeita dessas doenças, a suplementação não deverá ser iniciada até a confirmação do diagnóstico. Os seguintes sintomas e sinais são comumente observados em pessoas que têm anemia falciforme:

 

  • Anemia crônica;
  • Crises dolorosas no corpo;
  • Palidez, cansaço constante, icterícia (cor amarelada, visivelmente identificada no interior dos olhos);
  • Feridas nas pernas;
  • Constantes infecções e febres; e
  • Inchaço muito doloroso nas mãos e nos pés de crianças.

 

Caso a criança e/ou a gestante apresente os sinais e os sintomas mencionados acima, encaminhe-as ao médico ou a uma unidade de saúde onde possa ser realizado o diagnóstico mais detalhado e lembre-se de não suplementá-las com sulfato ferroso.

 

Fontes:

Brasil. Ministério da Sáude. Biblioteca do Ministério da Saúde. BVSMS.

http://bvsms.saude.gov.br/

http://files.bvs.br/upload/S/0100-7254/2011/v39n5/a2524.pdf

nutricao.saude.gov.br/docs/geral/manual_ferro.pdf