A sexualidade ocupa lugar de destaque para o ser humano, faz parte do bem-estar e da saúde do indivíduo, tendo sua participação reconhecida na manutenção das relações amorosas.

No pós-parto ocorrem importantes transformações nos âmbitos fisiológicos, psicológicos e sociais. Essas mudanças podem interferir na sexualidade e demandam reorganização e redirecionamento do desejo sexual. Em comparação ao período anterior à gestação, o desejo sexual e a frequência das relações encontram-se diminuídos até o terceiro mês do pós-parto.

Embora as dificuldades no exercício da sexualidade possam incidir nas diversas fases de vida do indivíduo, o ciclo gravídico puerperal, em especial o período pós-parto, merece um olhar mais atento, visto que promove importantes modificações na vida da mulher, do parceiro e da família. A necessidade de se adaptar às demandas do bebê e ao papel parental pode interferir negativamente na intimidade do casal, assim como as alterações na imagem corporal e a figura dessexualizada da mulher, cultivada pela sociedade. Tais aspectos, acrescidos ao medo de sentir dor na relação e/ou de engravidar, podem acarretar dificuldades angustiantes e limitadoras na vivência prazerosa da sexualidade feminina.

Buscando conciliar a função materna às outras funções que desempenham na sociedade, como, por exemplo, a de trabalhadora, algumas mulheres acabam por colocar suas necessidades em último plano, ficando sem tempo, disposição e condições físicas e/ ou emocionais para o exercício satisfatório de sua sexualidade.

As dificuldades no retorno da atividade sexual, que ocorre geralmente por volta da 6ª semana pós-parto e por incentivo do parceiro, são comuns na maioria das puérperas. A identificação precoce é de suma importância para a detecção de conflitos emocionais e relacionais, além dos devidos encaminhamentos.

Apesar das disfunções sexuais serem bem conhecidas, elas não são diagnosticadas, em razão da inibição da mulher, que não apresenta a queixa, ou do médico, que se constrange em investigar. O diagnóstico é relevante, uma vez que esse problema interfere na qualidade de vida, além de estar associado às questões de saúde em geral.

Tipos de Disfunção Sexual :

  • Disfunção do desejo;
  • Disfunção na fase de excitação;
  • Dispareunia (dor durante ou após relação sexual);
  • Disfunção orgásmica;
  • Vaginismo (contrações involuntárias dos músculos da parede vaginal no momento da penetração do pênis, o que torna o ato sexual doloroso ou o impossibilita).

É importante que ao se encaixar em um desses tipos de disfunção sexual, procure atendimento no Posto de Saúde ou agende uma consulta com seu médico de confiança.

 

Referências:

Holanda, JBL; Abuchaim, ESV; Coca, KP; Abrão, ACFV. Disfunção sexual e fatores associados relatados no período pós-parto. Acta Paul Enferm. 2014; 27(6):573-8. 5. Disponível em: www.scielo.br.

Sussmann, LGPR; Cury, AF; Pearson, R. Depressão como mediadora da relação entre violência por parceiro íntimo e dificuldades sexuais após o parto: uma análise estrutural. Rev. bras. epidemiol. 23 01 Jun 2020. Disponível em: www.scielosp.org.