O pós-parto inicia-se do final do parto até 42 dias após. Nessa fase podem ocorrer problemas consequentes da gestação ou do parto, ou ainda novos problemas que demandam a necessidade de cuidados importantes afim de evitar, principalmente, a mortalidade materna.

 

Principais particularidades nos cuidados relacionados ao pós-parto normal.

Após realização de parto normal a mulher pode voltar às atividades de autocuidado, como o banho, por exemplo, tão logo esteja preparada. Quando for realizado a epísio (corte na região do períneo) é importante atentar-se para a higienização do local com água e sabão neutro e secar com cuidado para não romper os pontos. Caso ocorra dor e ardência leve não se preocupe. Mas procure imediatamente o médico na presença de sangramento, vermelhidão, febre, saída de pus e outras alterações. Após o parto normal, a mulher já pode andar e comer, mas não deve se levantar sozinha, pois a perda de sangue durante trabalho de parto pode levar a queda da pressão e consequentemente até a um desmaio. Geralmente a alta do hospital acontece a partir de 48 horas após o parto.

Principais particularidades nos cuidados relacionados ao pós-parto cesárea.
Os cuidados após o parto cesárea são direcionados principalmente com relação a cicatrização do local onde foi realizado a abertura do abdômen. Deve-se ficar atenta a sinais locais como vermelhidão, inchaço e calor; bem como sangramento, saída de pus e febre. Após autorização, lave somente com sabão neutro e água corrente e seque tocando levemente. Caso você perceba a ruptura de algum ponto, não mexa, procure atendimento de saúde para avaliação. Após esse procedimento cirúrgico deve-se permanecer deitada até 12 horas do parto. A liberação para alimentação ocorre, normalmente, 6 horas após o parto. Comumente a alta da maternidade ocorre 72 horas após a cesariana.

 

Amamentação.

Para que a amamentação seja um sucesso, atente-se para os seguintes aspectos:

  1. Posicionamento do bebê e pega: a criança deve ser posicionada de maneira que a sua face fique de frente para as mamas da mãe, barriga de ambos encostadas uma na outra, devendo o bebê abocanhar toda ou a maior parte da região escura do seio (aréola);
  2. Fissura mamilar (“rachadura das mamas”): pequenas feridas na regão do mamilo que podem ser evitadas com o posicionamento adequado, pega correta, uso do próprio leite materno como hidratante e banho de sol diário por 5 minutos pela manhã;
  3. Ingurgitação mamária (“leite empedrado”): como prevenção, a mulher deve realizar a retirada manual do leite;
  4. Mastite: inflamação nas mamas onde, geralmente, há necessidade de tratamento, portanto faz-se necessário a avaliação médica (as mamas ficam endurecidas, avermelhadas, brilhantes, doloridas).

 

Sangramento pós-parto.

Após o parto inicia-se a saída de uma secreção pela vagina (semelhante à menstruação) durante cerca de 20 a 30 dias. No começo é de coloração avermelhada tendendo a transparência ao final do período. O uso de absorvente higiênico é indispensável e deve ser trocado com frequência. Importante prestar atenção a aumento do fluxo, mau cheiro, coágulos, pus e febre, pois são sinais que indicam a necessidade de procurar o atendimento médico rapidamente.

 

Dores.

A contração do útero é mantida mesmo após o parto, sendo necessária pois esse órgão precisa voltar ao seu estado pré-gravidez bem como evitar a perda de sangue em excesso. Essa movimentação do útero pode gerar cólicas (semelhantes àquelas que ocorrem no período menstrual) e aumentam de intensidade durante a amamentação, pois durante o aleitamento o corpo produz um hormônio que intensifica as contrações.

 

Higiene corporal.

A higienização corporal da puérpera deve ser diária e realizada da maneira como era feita antes do parto. Não há contraindicações com relação a lavagem de cabelos. A atenção porém deve ser redobrada nos pontos próximos a vagina e na cesárea. Sua lavagem pode ocorrer normal com água corrente e sabão neutro, porém ao secar deve imprimir pequenos toques e não a movimentação de esfregar.

 

Vestuário.

O conforto deve ser prioridade para as mães. As roupas utilizadas devem facilitar a amamentação. Os sutiãs devem ser de tamanho suficiente para proteção e sustentação da mama. As cintas devem ser usadas com cautela, pois apesar de não haver contraindicação, as mesmas não podem ser excessivamente apertadas.

 

Alimentação.

No que se diz respeito a alimentação, principalmente quando está amamentando, não há surpresas ou fórmulas mágicas. Você e seu filho ficarão bem nutridos se optar por alimentos naturais e saudáveis (frutas, verduras, legumes, carnes brancas e magras) e ingerir bastante líquido (água e sucos naturais). Lembre-se: a qualidade nutricional do leite depende da qualidade da alimentação materna.

 

Peso corporal.

Após o parto, perde-se peso gradualmente. Para isso a mulher deve se alimentar de maneira balanceada. Lentamente há perda do excesso de água, originário da ação dos hormônios da placenta, e perda da massa gordurosa. A amamentação favorece o retorno do útero ao tamanho normal o que implica na regressão do abdômen e também leva a uma perda de até 900 calorias/dia.

 

Atividade física.

A atividade física inicia após o parto com movimentações leves de extensão e flexão, principalmente dos membros (superiores e inferiores) para auxiliar no retorno normal da circulação sanguínea. No caso de parto normal, pode-se iniciar caminhadas leves após 15 dias, com duração de 30 minutos a 1 hora por dia, duas vezes por semana. Para quem realizou o parto cesárea, depois de 6 semanas. O tipo de exercício físico, a frequência e a intensidade poderão progressivamente ser aumentadas sempre com a orientação de um profissional e a medida que o corpo da mulher aceite. Lembre-se: A falta de exercício físico no período pós-parto pode gerar diversas complicações.

 

Alterações intestinais.

É normal ocorrer a lentidão no funcionamento do intestino após o parto. Assim, pode ocorrer o acúmulo de gases, hemorroidas e inchaço no abdômen. A alimentação e hidratação auxilia na formação de fezes menos ressecadas que ficam mais fáceis de serem eliminadas.

 

Alterações urinárias.

Durante o parto normal, bem como na cesárea, lesões na bexiga podem ocorrer e acarretar dificuldade em urinar até poucos dias após o nascimento. Naturalmente essa situação retorna ao normal. No entanto, fique atenta a sinais como dores, dificuldade ao urinar, sangue na urina ou necessidade de urinar com frequência, pois é necessário procurar atendimento médico. Vale ressaltar a orientação de ingerir bastante líquidos.

 

Vitaminas.

O Ministério da Saúde indica que o uso do sulfato ferroso seja mantido até três meses após o parto. Portanto, converse com o médico ou enfermeiro que a acompanha confirmando a prescrição.

 

O Cartão da Gestante.

Mesmo após o nascimento do bebê é imprescindível que você ainda guarde o Cartão da Gestante. Esse documento é muito importante, pois todas as informações do pré-natal e do parto, contidas nele, são necessários para que o profissional da saúde dê continuidade ao seu acompanhamento.

 

Sexualidade.

É indicado que a mulher aguarde pelo menos 40 dias pós-parto para reiniciar as atividades sexuais, desde que não haja contra indicação médica ou qualquer sinal de alterações na região genital (sangramento, dor intensa). Este prazo deve ser respeitado para se evitar dor e comprometimento da cicatrização (da epísio e da cesárea). E não se preocupe, nesta fase os níveis hormonais estão geralmente mais baixos, por isso há menor lubrificação vaginal e baixa libido, além disso o cansaço físico das atividades maternas pode interferir na vontade da mulher em ter relações sexuais. Desta forma, o reinício da vida sexual deverá ser realizado com cuidado e no momento em que a mulher acreditar ser apropriado.

 

Planejamento Familiar, Nova Gestação e Uso de Contraceptivos.

O Planejamento Familiar “é um conjunto de ações que auxiliam as pessoas que pretendem ter filhos e também quem prefere adiar o crescimento da família”. A rede pública de saúde oferece este serviço nas Unidades de Saúde como auxílio e orientações a população. Uma nova gestação deve ser programada, idealmente, após dois anos da última gravidez, pois assim o organismo tem tempo suficiente para restabelecer-se por completo de maneira a evitar riscos para a mãe (anemia, hemorragia) e para a criança (prematuridade, baixo peso). Desta maneira, o uso de métodos anticoncepcionais torna-se imprescindível neste momento para controle da fertilidade e prevenção das DST’s (Doenças Sexualmente Transmissíveis). A camisinha não tem contraindicação e deve ser priorizada em todas relações sexuais. A amamentação é um método que reduz a fertilidade, porém com pequena porcentagem de eficácia, assim, o risco de ocorrer gravidez existe. Adicionalmente, outros métodos a ser utilizados devem ser orientados por profissionais competentes.

 

Atenção aos sinais de alarme no pós-parto!

Sinais de alarme indicam a necessidade de se procurar atendimento médico imediato, são eles:

  • Perda excessiva de sangue pela vagina;
  • Perda de sangue com odor fétido pela vagina;
  • Incisão da cesárea ou epísio com saída de secreção ou sangue com cheiro ruim, região avermelhada, quente, dolorida ou pontos rompidos;
  • Dores fortes nas pernas, pernas arroxeadas.
  • Febre;
  • Fortes dores de cabeça ou no abdômen;
  • Pensamentos negativos;
  • Dificuldade para urinar, urina com cheiro forte ou coloração escura.

 

Fontes:

Boa forma após o parto: o emagrecimento é um processo gradual. Disponível em http://www.senado.gov.br/senado/portaldoservidor/jornal/jornal89/nutri%C3%A7ao_pos_parto.aspx. Acesso em 23/05/2014.

Brasil. Ministério da Saúde. Blog da Saúde. Disponível em http://www.blog.saude.gov.br/index.php?tagTitle=Sa%C3%BAde%20da%20Mulher. Acesso em 20/05/2014.

Brasil. Ministério da Saúde. Humanização do Pré-natal e nascimento. 2002.

Brasil. Ministério da Saúde. Programa Nacional de Suplementação de Ferro – Manual de Condutas Gerais. Brasília (DF), 2013.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Atenção ao pré-natal de baixo risco, 2012. 318 p.