A criança menor de 2 anos está crescendo rápido e por isso necessita de uma alimentação saudável para fornecer a quantidade de energia e outros nutrientes essenciais para garantir o seu crescimento e desenvolvimento normal, inclusive o desenvolvimento adequado do seu cérebro.

Para ter uma alimentação saudável o bebê precisa, até os 6 meses, ser amamentado exclusivamente ao seio (sem dar água, chá ou qualquer outro alimento) e, depois do sexto mês, precisa comer outros alimentos e continuar mamando no seio até pelo menos 2 anos de idade, porque após os 6 meses, o leite materno sozinho não é suficiente para cobrir as necessidades nutricionais da criança, para que ela cresça e se desenvolva bem.

Esta maneira de alimentar a partir dos 6 meses (leite materno mais outros alimentos) é chamada alimentação complementar.

Quando a alimentação complementar ao seio é feita pela mãe de forma adequada, o bebê cresce bem, aprende a comer os mesmos alimentos que sua família e adquire hábitos alimentares saudáveis que irão até sua vida adulta.

É perigoso começar a alimentação complementar cedo demais ou tarde demais.

Nesta fase, também é perigoso dar alimentos nutricionalmente inadequados para o bebê.

A alimentação ideal para a criança menor de 2 anos é:

  • Aleitamento materno até dois anos ou mais.
  • Aleitamento materno exclusivo até os 6 meses.
  • Introdução de alimentos complementares ao seio a partir dos 6 meses (180 dias).

 

O que é Alimento Complementar?

Alimento complementar é qualquer alimento que não o leite materno e que é oferecido à criança em adição ao leite materno. Isto também inclui qualquer tipo de líquido como água pura ou açucarada, chá e suco de fruta que é dado à criança.

Há 2 tipos de alimento complementar:

  • Especialmente preparado para a criança.
  • Alimentos habituais da família modificados.

 

Alimento especialmente preparado para a criança, quer dizer:

Um alimento (uma papinha) que é preparado só para ela. Por exemplo, para a refeição da família a mãe faz arroz, feijão, galinha e abóbora e para o bebê ela cozinha, em uma panela separada da que usou para fazer os alimentos da família, por exemplo, batata, cenoura, chuchu e galinha, feito com pouco sal e sem pimenta.

Depois a mãe faz uma papinha bem macia destes alimentos que cozinhou só para o bebê e dá para ele. Então, a mãe tem o trabalho de cozinhar duas comidas diferentes.

A consistência do alimento a ser dado à criança deve ser macia. O alimento deve ser bem cozido e, preferencialmente, ele deve ser amassado com garfo ao invés de passar em liquidificador ou peneira.

Alimento passado em liquidificador fica mais ralo, com menos energia, e tem suas fibras quebradas. As fibras inteiras são necessárias para ajudar a movimentar os intestinos da criança.

Peneiras são difíceis de limpar, podem contaminar o alimento e causar diarréia no bebê.

Alimento especialmente preparado para o bebê pode ser uma boa opção no início da alimentação complementar se a mãe quiser e tiver condições de fazê-lo, mas isto não é essencial para garantir a boa nutrição da criança.

 

Alimentos habituais da família modificados, quer dizer:

Fazer para o bebê os mesmos alimentos que você prepara para a família e que todos da casa comem (feitos com pouco sal e sem pimenta), só que para o bebê, você modifica a consistência desses mesmos alimentos (bem amassado e macio) para que o bebê coma com facilidade.

Por exemplo, se você faz para a família arroz, feijão, carne, abóbora e couve, cozinhe esses alimentos um pouco mais até ficar bem macio, com pouco sal e sem pimenta, modifique a consistência antes de dá-los ao bebê.

Você modifica a consistência amassando bem esses alimentos com um garfo, primeiro o arroz, depois a abóbora e depois o feijão, até que cada um deles fique macio como uma papinha.

Depois você desfia a carne bem fininha ou corta em pedacinhos e a couve você corta como temperinho verde. Isso vai facilitar a criança a comer.

Alimentos da família podem ser modificados também pela adição de um pedacinho a mais de um outro alimento que vá garantir que a criança receba um determinado nutriente.

Por exemplo, um pedacinho de cenoura ou abóbora para garantir a vitamina A,um pedacinho de fígado para garantir o ferro, e um pouco de óleo ou margarina para dar mais energia para o crescimento da criança.

Você pode, por exemplo, cozinhar um pedacinho de cenoura ou de abóbora ou de fígado de galinha só para o bebê, se nesse dia esses alimentos não tiverem sido cozidos para a comida da família.

Dar alimentos da família modificados é adequado para a boa nutrição da criança, é mais econômico, consome menos tempo e dá menos trabalho para a mãe, e vai evitar engasgos.

Coloque todos estes alimentos, assim modificados, no pratinho do bebê, separados uns dos outros, e ofereça a ele. Lembre-se, a criança deve comer a carne e não apenas o caldo.

A carne pode ser moída, desfiada ou cortada em pequenos pedacinhos. Use o garfo e não utilize o liquidificador para amassar os alimentos.

Fazendo assim, você não vai ter que cozinhar duas comidas diferentes, não vai precisar cozinhar algo só para o bebê e ele terá uma comida que vai alimentá-lo bem.

 

Fonte:

Brasil. Ministério da Saúde. Biblioteca virtual em saúde do Ministério da Saúde. Manual Técnico. Os Dez Passos para a Alimentação saudável de crianças menos de 2 anos – Orientações Práticas para as Mães. Páginas 4, 5 e 6. http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cartilha_10passos_mae.pdf