Malformações congênitas podem ser definidas como “todo defeito na constituição de algum órgão ou conjunto de órgãos que determine uma anomalia morfológica estrutural presente no nascimento devido à causa genética ambiental ou mista” (OPAS, 1984).

Essa definição abrange todos os desvios em relação à forma, tamanho, posição, número e coloração de uma ou mais partes capazes de ser averiguadas macroscopicamente ao nascimento e/ou decorrente de condição morfológica congênita ainda que por ser discreta não tenha sido verificada na ocasião em que a criança nasceu.

Mais de 20% das gestações com fetos malformados terminam em abortamento espontâneo; os 80% restantes irão nascer vivos ou mortos com alguma anomalia congênita, resultando em 3-5% de recém-nascidos com malformações congênitas.

Estas representam cerca de 20% das mortes no período pós-parto. O impacto das malformações congênitas na mortalidade infantil depende de diversos fatores, incluindo a prevalência das anomalias, a qualidade e disponibilidade de tratamento médico e cirúrgico, e a presença e efetividade de medidas durante o pré-natal.

Existem diversas mal formações, porém iremos falar somente das mais frequentes que nós atendemos no PROGRAMA ALÔ MÃE:

  1. Alterações cardíacas;
  2. Síndrome de Down e Síndromes Genéticas;
  3. Malformações do SNC e Paralisia Cerebral (hidrocefalia);
  4. Anomalias Crânio Faciais (fenda palatina, lábio leporino);
  5. Alterações auditivas (surdez e diminuição auditiva) e Alterações visuais (cegueira, catarata neonatal);
  6. Pé Torto congênito;

Pé Torto congênito:

É uma deformidade complexa que envolve ossos, músculos, tendões e vasos sangüíneos, apresentada pelo recém-nascido no momento do nascimento. O pé é geralmente pequeno, com calcanhar elevado, pé voltado para dentro e rodado para cima.

A causa do Pé Torto não é exatamente bem esclarecida pelos médicos. Sabemos que o problema é mais comum em determinadas famílias. Por isso os pais não devem se sentir culpados pelo problema que a criança apresenta ao nascer.

O tratamento pode ser todo realizado pelo SUS, as crianças são submetidas a manipulações suaves e a colocação de aparelhos gessados longos, estes realizam as correções progressivas e graduais, após este período inicial, a criança é submetida a pequeno procedimento cirúrgico, com o objetivo de realizar o alongamento do tendão de Aquiles.

Após 3 semanas o gesso é retirado no ambulatório e os pais são encaminhados para a confecção de uma órtese, que em nosso meio é conhecida como órtese de Dennis-Brown.

A órtese deve ser utilizada 23 horas por dia. Após este período inicial, a órtese deve ser utilizado apenas no período noturno, até a criança completar 2 anos de idade. Estudos demonstram que o retorno da deformidade está intimamente relacionado ao não uso correto da órtese.

Enfermeira Orientadora Paloma Martina Rodrigues Barboza. Especialização em Ginecologia, Obstetrícia e Cuidados em Pré-Natal.
Fonte: Ministério da Saúde. Biblioteca virtual em saúde do Ministério da Saúde.  http://bvsms.saude.gov.br/bvs/dicas/192_pe_torto_congenito.html