A importância do ácido fólico, especialmente nos últimos meses que antes da gravidez, para o adequado fechamento do tubo neural do feto é condição bem estabelecida na literatura. Estudos apontam também para a redução no risco de ruptura da placenta, de restrição do crescimento intrauterino e parto prematuro, assim como prevenção de doenças respiratórias na infância, da síndrome de Down, paralisia dos membros inferiores, incontinência urinária e intestinal dos bebês, além de diferentes graus de retardo mental e de dificuldades de aprendizagem escolar.

De acordo com orientações atualizadas do Ministério da Saúde, a suplementação vitamínica com ácido fólico é recomendada para a mulher em idade fértil, dois meses antes de engravidar e nos dois primeiros meses da gestação. O ácido fólico é uma vitamina hidrossolúvel do complexo B, que atua no processo de multiplicação das células e na formação de proteínas estruturais da hemoglobina.

A dose para suplementação do acido fólico é de 400 µg (0,4 mg) diariamente. Sua forma natural, o folato, é encontrada em vegetais de folha verde escura, como couve, brócolis e espinafre, porém ele é mal absorvido pelo organismo. Sendo assim, a forma sintética é a alternativa mais eficaz e prática para a mulher.

A carência de ferro é causa importante de anemia na gravidez.  No Brasil, são desenvolvidas ações de suplementação profilática com sulfato ferroso desde 2005 – Programa Nacional de Suplementação de Ferro (PNSF). O PNSF consiste na suplementação profilática de ferro para todas as crianças de seis a 24 meses de idade, gestantes ao iniciarem o pré-natal, independentemente da idade gestacional até o terceiro mês pós-parto.

As principais consequências da deficiência de ferro são:

  • Comprometimento do sistema imune, com aumento da predisposição a infecções;
  • Aumento do risco de doenças e mortalidade perinatal para mães e recém-nascidos;
  • Aumento da mortalidade materna e infantil
  • Redução da função cognitiva, do crescimento e desenvolvimento neuropsicomotor de crianças com repercussões em outros ciclos vitais;
  • Diminuição da capacidade de aprendizagem em crianças escolares e menor produtividade em adultos.

 

Há dois tipos de ferro nos alimentos: ferro heme (origem animal, sendo mais bem absorvido) e ferro não heme (encontrado nos vegetais).

Fontes de ferro heme: carnes vermelhas, principalmente vísceras (fígado e miúdos), carnes de aves, suínos, peixes e mariscos.

Fontes de ferro não heme: hortaliças folhosas verde-escuras e leguminosas, como o feijão e a lentilha.

Como o ferro não heme possui baixa biodisponibilidade, recomenda-se a ingestão na mesma refeição de alimentos que melhoram a absorção desse tipo de ferro, por exemplo, os ricos em vitamina C, disponível em frutas cítricas (como: laranja, acerola, limão e caju), os ricos em vitamina A, disponível em frutas (como: mamão e manga) e as hortaliças (como: abóbora e cenoura).

A suplementação de ferro e ácido fólico durante a gestação é recomendada como parte do cuidado no pré-natal para reduzir o risco de baixo peso ao nascer da criança, anemia e deficiência de ferro na gestante.

 

Referências:

https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_suplementacao_ferro_condutas_gerais.pdf

https://aps.bvs.br/aps/como-utilizar-o-acido-folico-no-periodo-gestacional/

Barbosa L; Queiroz DR; Faria FC; Nobre LN; Lessa AC. Fatores associados ao uso de suplemento de ácido fólico durante a gestação. Rev. Bras. Ginecol. Obstet. vol.33 no.9 Rio de Janeiro Sept. 2011. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-72032011000900005&script=sci_arttext