Dados do Ministério da Saúde mostram a Síndrome Hipertensiva Gestacional como a maior causa de morte materna e perinatal. A elevação da pressão sanguínea diagnosticado durante a gestação em mulheres que nunca haviam antes demonstrado o problema é classificado como doença hipertensiva específica da gestação (DHEG).

O pré-natal realizado de forma rigorosa continua sendo a melhor forma de reduzir a mortalidade materna e perinatal é fundamental classificar a síndrome hipertensiva, veja abaixo a classificação da hipertensão arterial em gestantes.

  • Pré-eclâmpsia (PE) – estado hipertensivo acima da 20ª semana de gravidez, acompanhado de proteinúria em 24 horas com valor maior ou igual a 300 mg, edema e proteinúria significativa (+ em fita ou 1,0 g em amostra isolada), quadro hipertensivo geralmente desaparece até a 12ª semana pós-parto.
  • Hipertensão gestacional – hipertensão detectada apenas após a 20ª semana de gravidez, sem proteinúria significativa. É denominada “transitória” quando o estado hipertensivo geralmente desaparece após a 12ª semana pós-parto. Pesquisar proteinúria (fita) em todas as consultas. Caso tenha PROTEINÚRIA POSITIVA: ENCAMINHAMENTO IMEDIATO PARA PRONTO SOCORRO DA MATERNIDADE DE REFERÊNCIA PARA ALTO RISCO
  • Hipertensão arterial crônica (HAC) – quadro hipertensivo diagnosticado antes da gravidez ou da 20º semana gestacional e que não desaparece após o parto, sem limitação de tempo.
  • Pré-eclâmpsia sobreposta a HAC – diagnóstico de proteinúria significativa, podendo acometer até 30% das grávidas com HAC. Deve-se suspeitar dessa complicação quando ocorrer piora súbita dos níveis tensionais e dos valores de proteinúria, surgimento de plaquetopenia e/ou anormalidades dos valores das transaminases.

 

Quais são as causas da hipertensão na gravidez?

Não existe uma única causa. Há vários motivos que podem levar a mulher gestante à hipertensão, tais como a qualidade dos vasos sanguíneos, obesidade, alteração do colesterol, triglicérides ou doença renal prévia. Mas para mulheres que tenham risco para essa situação, é recomendada a prevenção quando pode ser utilizado cálcio e AAS (ácido acetilsalicílico), sob avaliação médica e prescrita pelo médico, sempre.

A educação em saúde é o primeiro passo a ser dado na tentativa de desenvolver e estimular o processo de mudanças de hábitos e estilo de vida.

A literatura tem apontado que a dieta com baixo consumo de sódio não apresenta benefício como prevenção ou tratamento de pré-eclâmpsia, hipertensão arterial na gravidez e complicações perinatais. A redução de ingestão de sal deve ser preconizada apenas para gestantes neuropatas ou portadoras de HAC grave.

É importante praticar atividade física e desestimular o consumo de álcool e o tabagismo.

 

Seleção da droga anti-hipertensiva

Para o tratamento medicamentoso, no Brasil a maior experiência é com a alfametildopa, que pode ser utilizada nas doses de 750 mg a 2,0 g/dia (não exceder 8 horas de intervalo entre as tomadas).

A experiência com os antagonistas de cálcio vem crescendo ultimamente, não tendo sido relatados efeitos adversos significativos.

O uso de diuréticos, quando indicado, é seguro e eficaz, pode potencializar a resposta de outros agentes anti-hipertensivos e não é contraindicado, exceto em situações onde a perfusão útero-placentário (pré-eclâmpsia e restrição do crescimento fetal).

*Em outro artigo abordaremos detalhadamente todo o tratamento, aguardem!

Os nossos enfermeiros estão à disposição para sanar todas as dúvidas.

 

Fonte:

Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo 2010. Atenção a Gestante e a Puérpera no SUS-SP. Manual Técnico do Pré-Natal e Puerpério, 2010. Disponível em: http://www.saude.sp.gov.br/resources/ses/perfil/gestor/destaques/atencao-a-gestante-e-a-puerpera-no-sus-sp/manual-tecnico-do-pre-natal-e-puerperio/manual_tecnicoii.pdf. Acesso em 20/05/2019.

MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Atenção à Saúde Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Gestação de Alto Risco Manual Técnico. Série A. Normas e Manuais Técnicos. 5ª edição. Brasília – DF 2012.