Durante a gestação e parto, pequenas quantidades de hemácias (sangue) fetais podem atingir a circulação materna. Nos casos em que a gestante é Rh negativo e a criança, Rh positivo, a mãe pode ser sensibilizada e passa a produzir anticorpos-anti-D. Estes atravessam a barreira placentária e acarretam doença hemolítica perinatal (anemia), a qual podem cursar com repercussões graves.

Para a avaliação de uma gestante com história de Rh negativo é fundamental ter um exame confirmatório, saber o fator Rh do pai da criança e acompanhar, se necessário, por meio da verificação do exame de Coombs indireto, este exame detecta a presença do anticorpos-anti-D no sangue. A pesquisa de anticorpos deve ser solicitada em toda primeira consulta do pré-natal. Nos casos em que a gestante é Rh negativo e não sensibilizada, a orientação é repetir a pesquisa de anticorpos irregulares por volta de 27 semanas, antes da administração da imunoglobulina anti-D.

Quando há história de sangramento sem administração da imunoglobulina, a pesquisa de anticorpos irregulares deve ser sempre solicitada, independentemente do período da gestação, visto que pode ter ocorrido sensibilização. Após a administração da imunoglobulina anti-D não é recomendado realizar novamente a pesquisa de anticorpos anti-D, pois a imunoglobulina administrada poderá ser detectada no sangue materno ainda por período que varia de 6 a 12 semanas e não há como diferenciar se o anticorpo detectado é proveniente de resposta imune materna ou se é exógeno (medicação – Imunoglobulina).

Quais os riscos para o meu bebê?

A DHP (Doença Hemolítica Perinatal) caracteriza-se pela hemólise fetal (destruição dos glóbulos vermelhos do sangue), podendo apresentar manifestações variadas, que vão desde a anemia fetal leve até hidropsia fetal (distúrbios na circulação do sangue, acumulando líquido em quantidade anormal nos tecidos fetais) com anemia grave e icterícia (amarelão) e óbito fetal. Ela ocorre quando uma gestante RhD-negativo é exposta a sangue com células RhD-positivo, frequentemente por conta de hemorragia feto-materna. O tratamento vai de acordo com a gravidade de cada bebê.

A realização do pré-natal representa papel fundamental na prevenção e/ou detecção precoce de patologias tanto maternas como fetais, permitindo um desenvolvimento saudável do bebê e reduzindo os riscos da gestante.

 

Referências:

https://aps.bvs.br/aps/como-proceder-na-ubs-com-uma-gestante-que-relata-ser-rh-negativo-apenas-na-sua-5a-gestacao/ https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-72032009000600008 https://bvsms.saude.gov.br/dicas-em-saude/2198-importancia-do-pre-natal https://diretrizes.amb.org.br/_BibliotecaAntiga/aloimunizacao_rh_na_gestacao.pdf