Puericultura- psicologia

A nova puericultura trata do corpo e do espírito da criança. As relações amistosas e amorosas estabelecidas entre a mãe e a criança, durante os primeiros dias e semanas de vida, constituem um valioso elemento para o bom desenvolvimento mental da criança. Parece que a inter-relação do leite é maior do que a do sangue. A mama é o mundo da criança e o bebê tem, através dela, consciência agradável de sua mãe, de acordo com a quantidade do leite que possa receber. Para o bebê, a alimentação ao seio fornece satisfações emocionais agradabilíssimas que podem ter a mais alta importância futura. Na verdade, não é que a criança alimentada ao seio tenha equilíbrio emocional maior do que a alimentada artificialmente, ou seja mais feliz, mas ter , sem dúvida alguma, maiores chances de o ser.

Movimentos durante a gravidez

Movimentos que começaram lá no 5.o mês de vida intra uterina.Sabemos modernamente que o feto, depois do 5.o mês, já faz os seguintes movimentos:

– de braço e pernas

– pestaneja e vira os olhos

– abre e fecha a boca

– engole e tem movimentos rítmicos do tórax.

Movimentos do recém-nascido

– Enruga a testa e contrai as pálpebras.

– Movimentos rítmicos da boca.

– Dilatação das narinas.

– Chora quando provocado.

– Ocasionalmente, boceja.

– Move a cabeça de um lado para o outro.

– Estica braços e pernas e movimenta os dedos das mãos e pés.

Desenvolvimento motor e mental do recém-nascido

  • A sucção reflexa manifesta-se quando os lábios da criança são tocados por algum objeto, desencadeando-se movimentos de sucção dos lábios e da língua. Somente após 32 a 34 semanas de gestação é que o bebê desenvolve sincronia entre respiração, sucção e deglutição, o que torna a alimentação por via oral difícil em RN pré-termo.
  • A preensão palmoplantar é obtida com leve pressão do dedo do examinador na palma das mãos da criança e abaixo dos dedos do pé. Ao toque, o bebê deverá fechar a mão e encolher os dedos do pé.
  • O reflexo de Moro é desencadeado por algum estímulo brusco como bater palmas, estirar bruscamente o lençol onde a criança está deitada, ou segurar as mãos do bebê e após soltar repentinamente. O reflexo consiste em jogar a cabeça para trás, esticar as pernas e levantar os braços rapidamente como se tivesse levado um susto.
  • A marcha reflexa e o apoio plantar podem ser observados segurando-se a criança pelas axilas em posição ortostática (em pé). Ao contato das plantas dos pés com a superfície, a criança estica as pernas até então fletidas. Se a criança for inclinada para a frente, inicia a marcha reflexa, dando passos como se estivesse caminhando.

    Obs: Todos estes reflexos desaparecem conforme o bebê se desenvolve.

Cor

A pele normal do RN apresenta cor rosada, mais evidente nas crianças de pele clara. Crianças filhas de pais negros podem apresentar pele clara no nascimento. No entanto, pode-se detectar nesses RNs maior quantidade de melanina nos mamilos, região periungueal, na pele da borda do umbigo e na genitália. A palidez acentuada pode ser um dado importante para o diagnóstico de anemia (aguda ou crônica), vasoconstrição periférica ou choque, traduz situação grave e deve ter sempre investigada a causa de seu aparecimento. Muitas vezes, devido alguma doença, pode haver alterações da pele. Em caso de alteração da pele do seu bebê, ligar para o Alô Mãe.

Icterícia

A icterícia também muito conhecida popularmente como “amarelão”. Consiste em cor amarelada da pele, decorrente de sua impregnação por bilirrubina, que acometem muitos bebês com idade entre 48 e 120 horas de vida. Na grande maioria das vezes é um quadro totalmente normal, pois o organismo do bebê ainda não é maduro o suficiente, especialmente o fígado que precisa eliminar algumas substâncias do metabolismo da criança. Quando o bebê está muito amarelo, o pediatra poderá pedir exames de sangue para dosar a bilirrubina . Se esses valores estiverem alterados para a idade e peso do bebê ele pode precisar tomar banho de luz. O banho de luz, também conhecido como fototerapia, ajuda a eliminar esse excesso de bilirrubina do corpo do bebê. A tendência é que o amarelo vá melhorando em dias, sem significar que a criança esteja doente. Mas como existem icterícias patológicas, que dependendo de fatores, tais como, do valor, do peso e do tempo de vida do bebê, podem trazer graves prejuízos a este. Por isso é muito importante que os pais avisem sempre o pediatra se o bebê estiver amarelo.

Coto umbilical

Inicialmente gelatinoso, ele seca progressivamente, mumificando-se perto do 3º ou 4º dia de vida, e costuma desprender-se do corpo em torno do 6º ao 15º dia. Habitualmente o cordão umbilical apresenta duas artérias e uma veia. É importante pesquisar a presença de secreções na base do coto umbilical ou de eritema (vermelhidão) da pele ao redor da implantação umbilical.

Principais cuidados:

  • Utilize para a limpeza do coto umbilical, álcool a 70 por cento (encontrado nos Postos de Saúde ou farmácias);

  • Esta limpeza deve ser feita todos os dias (várias vezes), após o banho e troca de fraldas, até que a ferida umbilical esteja completamente cicatrizada;

  • Não use gaze nem faixa para cobrir o coto umbilical, mesmo que o seu bebê tenha hérnia umbilical “caroço no umbigo”. O uso destes, não traz nenhum benefício, pois podem causar irritação, secreção e odor;

  • Coloque a fralda abaixo do coto umbilical, para que ele fique sempre seco.

  • Se for observado vermelhidão, umidade em volta do coto umbilical, secreção e odor, procurar o Posto de Saúde mais próximo de sua casa, para que seja dado o tratamento adequado, o mais rápido possível.

1° Coco

A eliminação de mecônio costuma ocorrer nas primeiras 24 a 36 horas de vida. Trata-se de material viscoso, verde escuro, composto por sais biliares, células epiteliais de descamação, sucos digestivos e lanugo, sendo eliminado nos primeiros 3 a 4 dias de vida. Após esse período, as fezes, denominadas de transição, têm coloração amarelo-esverdeada, liquefeitas, podendo até ser confundidas com diarreia. O reflexo gastrocólico exacerbado, isto é, o relaxamento do esfíncter anal que ocorre com a distensão do estômago, aumenta o número de evacuações diárias, sobretudo no RN em aleitamento materno exclusivo sob livre demanda, que pode evacuar em cada mamada.

Choro

As mães com frequência atribuem o choro do bebê à fome ou às cólicas. Elas devem ser esclarecidas de que existem muitas razões para o choro do bebê, incluindo adaptação à vida extrauterina e tensão no ambiente. Na maioria das vezes os bebês acalmam-se quando são aconchegados ou colocados no peito, o que reforça sua necessidade de se sentirem seguros e protegidos. As mães que ficam tensas, frustradas e ansiosas com o choro dos bebês tendem a transmitir esses sentimentos a eles, causando mais choro, podendo instalar-se um ciclo vicioso.

Sono do recém-nascido

Muitas mães se queixam de que seus bebês “trocam o dia pela noite”. As crianças, quando nascem, costumam manter nos primeiros dias o ritmo ao qual estavam acostumadas dentro do útero. Assim, as crianças que no útero costumavam ser mais ativas à noite vão necessitar de alguns dias para se adaptarem ao ciclo dia/noite fora do útero. Portanto, as mães devem ser tranquilizadas quanto a este eventual comportamento do bebê.

Posição da criança para dormir

Uma das maiores causas de morte em bebês, é a morte súbita. Para reduzir este risco de morte em bebês, é importante deixá-los dormindo de “barriga para cima”. No entanto, isso ainda é pouco usado, devido uma antiga crença popular, que diz que dormir lateralizado seria a melhor forma de evitar a morte súbita em bebês. Por mais que haja controvérsias de dormir lateralmente ou de “barriga para cima”, o ministério da saúde preconizou que, a melhor forma da criança dormir na cama, é de “barriga para cima”, pois caso a criança venha a se afogar, sua tendência, por instinto, é tossir e com isso chamar a atenção dos pais, diferentemente da forma lateralizada, onde respira um ar viciado, ou seja, o ar que ele próprio expira. Por isso a importância de sempre ficar atento a qualquer chamado do seu bebê.

Acompanhamento da criança

Toda criança deveria sair da maternidade com a primeira consulta agendada em um serviço de saúde ou consultório, de preferência na primeira semana de vida, segundo recomendação do Ministério da Saúde. Os responsáveis pela criança devem ser orientados quanto à importância do Teste do Pezinho, que idealmente deve ser realizado entre o terceiro e sétimo dia de vida.Durante o primeiro ano de vida do seu bebê, as consultas deverão ser realizadas pelo menos uma vez por mês.

Uso de chupeta

Atualmente, a chupeta tem sido desaconselhada pela possibilidade de interferir negativamente na duração do aleitamento materno, entre outros motivos. Crianças que usam chupetas, em geral, são amamentadas com menos frequência, o que pode comprometer a produção de leite. Embora não haja dúvidas de que o desmame precoce ocorre com mais frequência entre as crianças que usam chupeta, ainda não são totalmente conhecidos os mecanismos envolvidos nesta associação. É possível que o uso da chupeta seja um sinal de que a mãe está tendo dificuldades na amamentação ou de que tem menor disponibilidade para amamentar.

Além de interferir com o aleitamento materno, o uso de chupeta está associado a uma maior ocorrência de candidíase oral, de otite média e de alterações do palato. A comparação de crânios de pessoas que viveram antes da existência dos bicos de borracha com crânios mais modernos sugere o efeito nocivo dos bicos na formação da cavidade oral.

Caderneta da Criança

Ela é distribuída gratuitamente a todas as crianças nascidas em território nacional, nas maternidades públicas ou privadas. No alojamento conjunto, os pais devem ser estimulados a lerem as informações contidas na primeira parte da caderneta (seção destinada aos cuidadores) e a solicitarem aos profissionais que registrem as informações na seção destinada a eles, ao longo do acompanhamento da criança.

Fontes:

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas.
Atenção à saúde do recém-nascido: guia para os profissionais de saúde / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à
Saúde, Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas. – Brasília : Ministério da Saúde, 2011.