As crianças amamentadas desenvolvem muito cedo a capacidade de autocontrole sobre a ingestão de alimentos, de acordo com as suas necessidades, pelo aprendizado da saciedade e pela sensação fisiológica da fome durante o período de jejum.

Mais tarde, dependendo dos alimentos e da forma como lhe são oferecidos, também desenvolvem o autocontrole sobre a seleção dos alimentos. E esse autocontrole sofrerá influência de outros fatores como o cultural e social. Portanto não se deve ter HORÁRIO RÍGIDOS de alimentação, porém com intervalos regulares (3 a 3 horas) para que a criança sinta a necessidade de se alimentar.

A criança que inicia a alimentação complementar está aprendendo a testar novos sabores e texturas de alimentos e sua capacidade gástrica é pequena. Após os 6 meses, a capacidade gástrica do bebê é de 20 a 30ml/Kg de peso. Geralmente há uma expectativa muito maior sobre a quantidade de alimentos que as crianças necessitam comer.

Assim, a oferta de um volume maior de alimentos que a capacidade gástrica da criança pequena, resulta na recusa de parte da alimentação, podendo causar ansiedade dos pais ou cuidadores. Por outro lado, no caso da criança maior este comportamento pode ser um fator de risco para ingestão alimentar excessiva e sobrepeso da criança. O tamanho da refeição está relacionado positivamente com os intervalos entre as refeições. Isto é, grandes refeições estão associadas a longos intervalos e vice-versa.

Nos primeiros dias de oferta de alimentos complementares a mãe pode oferecer leite materno, caso a criança demonstre que não está saciada e ficar atenta a outros desconfortos da criança como, sede, sono, frio, calor, fraldas molhadas ou sujas, e não oferecer comida ou insistir para que a criança coma, quando ela não está com fome.

São desaconselháveis práticas como prêmios ou castigos para conseguir que as crianças comam e que achamos necessário para ela. Algumas crianças precisam ser estimuladas a comer, nunca forçadas.

Dicas para alimentação saudável:

Aos 6 meses, a trituração complementar dos alimentos é realizada com as gengivas que já se encontram suficientemente endurecidas devido a aproximação da erupção dentária. A introdução da alimentação complementar espessa vai estimular a criança nas funções de lateralização da língua, jogando os alimentos para os dentes trituradores e no reflexo de mastigação. Com 8 meses, a criança que for estimulada a receber papas com consistência espessa, vai desenvolver melhor a musculatura facial e a capacidade de mastigação. Assim, ela aceitará, gradativamente, com mais facilidade a comida da família a partir dessa idade.

As refeições, quanto mais espessas e consistentes em forma de purê grosso, apresentam maior densidade energética, comparadas com as dietas diluídas, do tipo sucos e sopas ralas;

Como a criança tem capacidade gástrica pequena e consome poucas colheradas no início da introdução dos alimentos complementares, é necessário garantir o aporte calórico com papas de alta densidade energética.

Cozinhar todos os alimentos, para deixá-los macios.

Amassar com garfo, não liquidificar e não passar na peneira.

A primeira papa salgada pode ser oferecida no almoço ao completar 6 meses e quando o bebê completar 7 meses, conforme a aceitação, introduzir a segunda papa salgada no jantar.

Após a introdução de outros alimentos, a absorção do ferro do leite materno reduz significativamente; por esse motivo a introdução de carnes, vísceras e miúdos fígado, coração, moela no mínimo uma vez por semana, mesmo que seja em pequena quantidade.

Para aumentar a absorção do ferro deve ser introduzido também os vegetais verde-escuro e consumo de alimentos fontes de vitamina C, junto ou logo após a refeição.

A papa salgada deve conter um alimento do grupo dos cereais ou tubérculos, um dos legumes e verduras, um do grupo dos alimentos de origem animal (frango, boi, peixe, miúdos, ovo) e um das leguminosas (feijão, soja, lentilha, grão de bico).

O ovo cozido (clara e gema) pode ser introduzido ao completar 6 meses, mas seu uso deve ser avaliado pela equipe de saúde.

Oferecer duas frutas diferentes por dia, selecionando as frutas da estação.

As refeições, almoço e jantar, não devem ser substituídas por refeições lácteas ou lanches.

A criança nasce com preferência para o sabor doce, portanto a adição de açúcar é desnecessária e deve ser evitada nos dois primeiros anos de vida.

Até completar um ano de vida, a criança possui a mucosa gástrica sensível e, portanto, as substâncias presentes no café, chás, mate, enlatados e refrigerantes podem irritá-la, comprometendo a digestão e a absorção dos nutrientes, além de terem baixo valor nutricional.

Evitar alimentos industrializados, enlatados, embutidos, frituras,  refrigerantes, salgadinhos, açúcar, doces, gelatinas industrializadas, refrescos em pó, temperos prontos, margarinas, achocolatados e outras guloseimas, estes alimentos está associado à anemia, ao excesso de peso e às alergias alimentares.

O MEL É TOTALMENTE CONTRA-INDICADO no primeiro ano de vida pelo risco de contaminação com Clostridium botulinum, que causa botulismo.

Oferecer água o mais limpa possível (tratada, filtrada e fervida).

Cuidado no manuseio dos alimentos, as mãos devem ser bem lavadas com água e sabão, as frutas, legumes e verduras devem ser lavados em água corrente e colocados de molho por dez minutos, em água clorada (produto distribuído na UBS).

Após a refeição, sobrar alimentos no prato (restos), eles não podem ser oferecidos posteriormente.

Crianças doentes que estão recebendo alimentação complementar, é importante oferecer os alimentos saudáveis preferidos em pequenas quantidades e mais vezes ao dia, se estiver consumindo a alimentação da família, pode ser necessário modificar a consistência (alimentos mais pastosos) para facilitar a aceitação. Em situações de febre e diarreia, deve-se oferecer maior quantidade de água  ou soro de reidratação oral.

Fonte:

Brasil. Ministério da Saúde. Biblioteca virtual em saúde do Ministério da Saúde. http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/dez_passos_alimentacao_saudavel_guia.pdf