A cardiopatia congênita é uma malformação do coração que está presente ao nascimento, ou seja, é quando um bebê nasce com um defeito na anatomia (forma) ou na função do coração.

Por exemplo: quando, dentro do útero, a separação entre os dois lados do coração não acontece como deveria acontecer, a criança pode nascer com uma comunicação, um buraco, por assim dizer, entre os lados direito e esquerdo do coração.

Esse buraco vai permitir a passagem do sangue de um lado para o outro do coração, sobrecarregando esse outro lado, levando a uma passagem exagerada de sangue pelos pulmões, e isso é que vai causar os sintomas no bebê.

Este é um exemplo das cardiopatias mais simples. Existem outras formas mais complexas, onde algumas partes do coração não se formam, ou algumas estruturas nascem com o lugar trocado, ou ainda onde deveria haver uma comunicação não se formou nenhuma.

As manifestações mais comuns são ficar com os lábios roxos, o cansaço para respirar ou para mamar, e a dificuldade em ganhar peso.

Mas as formas mais graves podem se manifestar nas primeiras horas de vida, com risco de vida para o bebê.

As cardiopatias congênitas, felizmente, não são frequentes. Elas têm uma incidência de 8 a 10 casos novos para cada 1000 nascidos vivos.

Como no Brasil nascem cerca de 3 milhões de nascidos vivos por ano, é previsto o nascimento de cerca de 24 mil bebês com cardiopatias congênitas por ano no Brasil.

Cerca de 20% desses casos não vai precisar de cirurgia cardíaca, mas a maioria dos casos necessita de tratamento cirúrgico.

A cardiopatia congênita pode ser causada por alguns fatores que podem ser prevenidos, como algumas medicações e também doenças infecciosas como a rubéola.

Outro fator importante são as doenças genéticas como a síndrome de Down, que tem forte associação com cardiopatia congênita. Mas a maioria dos casos não tem nenhum fator de risco aparente, então ninguém sabe ao certo porque elas acontecem na maioria dos casos.

A prevenção da doença, por isso, é muito difícil. O que pode ser feito, e isso é muito importante, é o rastreamento e o diagnóstico pré-natal, ou seja, descobrir se o bebê tem alguma malformação no coração antes dele nascer.

Em resumo, as cardiopatias congênitas são raras, mas podem estar presentes em até 1 em cada 100 recém-nascidos. Ainda se sabe pouco sobre as causas, portanto a prevenção ainda é difícil. O ideal é fazer o diagnóstico ainda quando o bebê está na barriga da mãe, através do ultrassom.

Quando o bebê nasce,  recomenda-se que seja feito o teste do coraçãozinho ainda na maternidade e, caso haja suspeita ou confirmação de uma cardiopatia congênita, que a mãe e o bebê sejam rapidamente transferidos para um hospital com capacidade para cuidar do caso.

Quanto mais rapidamente isso acontecer, maiores serão as chances do bebê sobreviver. Se o seu bebê fica com os lábios roxos, tem falta de ar, ou respira com dificuldade quando mama, procure seu pediatra imediatamente, pois ele pode ter uma cardiopatia congênita.

Fonte:

Brasil. USP. Jornal Eletrônico do Complexo Acadêmico de Saúde – FMRP-USP | HCFMRP | FAEPA / http://jornal.fmrp.usp.br/?p=15123