Intoxicações exógenas  – A exposição a produtos tóxicos é um evento comum em bebês e crianças menores, que têm o hábito de colocar qualquer coisa na boca.

A grande maioria dos casos ocorre na residência, em crianças com menos de seis anos de idade. Já nos adolescentes, 46% dos casos de exposição a substâncias tóxicas são intencionais.

A diminuição das mortes por intoxicações está ligada diretamente à adoção de medidas preventivas e educativas, como a obrigatoriedade de embalagens de medicamentos com tampas invioláveis, educação pública permanente através da mídia, e a criação dos centros de controle de intoxicação (CCI), facilmente acessíveis por telefone.

O que é perigoso para a criança?

Os principais grupos de agentes toxicantes são: medicamentos, produtos de uso domiciliar, pesticidas agrícolas, raticidas e plantas.

Entre os medicamentos, destacam-se antitérmicos, soluções nasais, antigripais, antialérgicos, sedativos, antidepressivos, antieméticos, medicamentos para asma, diabetes e hipertensão arterial.

Os produtos domésticos podem provocar intoxicações por ingestão, inalação e contato com pele e olhos, o que pode ser facilmente evitado, com adoção de medidas simples dentro de casa.

Devemos chamar a atenção para a soda cáustica e o hipoclorito de sódio manipulado (não comercializado), que provocam grandes danos à criança, e não deveriam ser adquiridos.

Os solventes e derivados de petróleo podem provocar danos ao sistema respiratório da criança, pois são voláteis e facilmente atingem o pulmão.

Outros produtos domésticos potencialmente tóxicos e comuns no ambiente de casa e que devem ser mantidos em local inacessível para as crianças são acetona, álcool, amônia, antisséptico bucal, naftalina, cloro, detergentes, desodorantes, esmalte de unha, éter, flúor, inseticidas, limpadores de vasos sanitários e perfumes.

Entre os raticidas, os dicumarínicos provocam sangramentos, e o chumbinho pode ser fatal.

A intoxicação também pode se dar por contato com plantas, na sua casa ou em terrenos próximos. É preciso estar atento principalmente para a “comigo-ninguém-pode”, que provoca lesões em lábios, boca e esôfago, com inchaço, dor e feridas.

Nos últimos anos, vem ocorrendo casos graves devido à ingestão de baterias em formato de disco, comuns nos brinquedos eletrônicos.

A lesão intestinal pela bateria em disco é causada por geração de corrente elétrica local, podendo levar a sangramento e perfuração, com potencial risco de óbito.

Quando no esôfago, as queimaduras aparecem com menos de duas horas de ingestão, e as perfurações podem ocorrer cerca de cinco horas após o acidente.

O diâmetro aumentado da maioria das baterias de lítio (20 mm) causa maior dano no esôfago das crianças, o que faz com que elas estejam associadas aos casos de maior gravidade e mortes.

Assim, nos casos testemunhados, a criança deve ser levada à Unidade de Emergência de um hospital de referência para que a bateria seja retirada imediatamente.

Regras de segurança:

  • Manter produtos domésticos e medicamentos em locais fechados, sem possibilidade de ser visto ou alcançado por crianças.
  • Use cadeados ou trancas nos armários onde os produtos estão estocados.

Fonte:

SBP. Sociedade Brasileira de Pediatria. Conversando com o pediatra. Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da SBP. Intoxicações exógenas. http://www.conversandocomopediatra.com.br/website/paginas/materias_gerais/materias_gerais.php?id=219&content=detalhe