O consumo de álcool é constante na vida de mulheres em idade reprodutiva, pois na sociedade moderna elas ocupam de forma progressiva o mercado de trabalho, o que modifica, consequentemente, o seu papel social.

TODO o álcool ingerido atravessa a barreira placentária e o feto fica exposto à mesma concentração que a mãe. Mas a exposição é maior para o feto porque o metabolismo e a eliminação são mais lentos.

O líquido amniótico fica impregnado de álcool não-modificado e de acetaldeído, pois não possui a quantidade necessária de enzimas para sua biodegradação. Ou seja, no organismo que está em crescimento dentro do útero, o etanol transforma-se em aldeído acético por metabolização no fígado, ou seja, o acetaldeído é a primeira substância derivada do metabolismo do etanol na circulação materna e fetal. As células astrogliais do sistema nervoso, em contato com acetaldeído inibe o crescimento e a migração neuronal, resultando em evidente microcefalia. Pode causar, também, morte celular por necrose ou apoptose.

DANOS FETAIS

Primeiro trimestre: o risco é de anomalias físicas e dismorfismo, pois trata-se de fase crítica para a organogênese; no segundo, há risco de abortamento espontâneo;

Terceiro: diminuição do crescimento fetal, em especial o perímetro cefálico, pois nesta fase o álcool lesa tecidos do sistema nervoso como: cerebelo, o hipocampo e o córtex pré-frontal, além de causar retardo do crescimento intra-uterino e comprometer o parto, aumentando o risco de infecções, descolamento prematuro de placenta, hipertonia uterina, trabalho de parto prematuro e presença de mecônio no líquido amniótico que indica um sofrimento fetal.

SÍNDROME FETAL ALCOÓLICA (SAF)

Afeta 33% das crianças nascidas de mães que fizeram uso de mais de 150 g de etanol por dia.

Caracterizada por: retardo no crescimento intra-uterino, alterações na coordenação motora, anomalias articulares, malformações cardíacas, redução da capacidade intelectual, entre outros.

Além disso, filhos de mulheres que consumiram moderadamente bebida alcoólica podem apresentar agitação, insuficiência de sucção durante o aleitamento, irritabilidade, sudorese e padrões anormais de sono, caracterizando um quadro de síndrome da abstinência.

TABELA CONTEÚDO ALCOLÍCO DAS PRINCIPAIS BEBIDAS

BEBIDA CONCENTRAÇÃO (%) GRAMAS (g)
1 lata de cerveja 5 17
1 copo chop 5 10
1 dose aguardente 50 25
1 copo vinho 12 10
1 dose destilados 40 a 50 20 a 25

Fonte: www.alcoolismo.com.br/tabelas.html.

FENÓTIPOS SÍNDROME FETAL ALCOÓLICA (SAF)

Faciais: hemiface achatada, fissuras palpebrais curtas, ptose, narinas antevertidas, filtro nasal apagado e lábio superior fino e liso.

Neurodesenvolvimentais: anomalias digitais, deficiência mental, alterações nas habilidades de comunicação, linguística e de aprendizagem. Várias pesquisas comprovaram a presença de dificuldades de memória

Audiológicas: atraso no desenvolvimento da função auditiva, perda auditiva do tipo neurossensorial, perda auditiva do tipo condutiva e perda auditiva central, recidiva de otite média crônica, muitas vezes justificada pela presença de fissura lábio-palatina.

ATENÇÃO…

No primeiro trimestre da gestação é o melhor momento para incentivar a interrupção, quando as náuseas são frequentes, surge o medo de ocorrerem malformações e a cobrança por parte dos familiares costuma ser insistente.

A confirmação do consumo de álcool na gestação nem sempre é fácil, provavelmente, pelo constrangimento da mulher em informar o uso e pelo despreparo do profissional para investigar adequadamente ou valorizar as queixas compatíveis com o hábito de beber.

O “beber socialmente” ocorre com maior frequência, especialmente, no primeiro trimestre, quando ainda não foi diagnosticada a gestação. O embrião fica exposto ao álcool em episódios de “embriaguez” que seriam suficientes para contribuir para aumento na duração da hospitalização do recém-nascido.

O rastreamento do consumo de bebida alcoólica na gestação não é valorizado. Nos estudos as maiorias das mulheres afirmam que durante a gestação o uso de tabaco foi questionado, mas sem menção do álcool.

 

Fontes:

Brasil. Ministério da Saúde. Biblioteca virtual em saúde do Ministério da Saúde. http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_brasil_2008.pdf

Scientific Electronic Library Online. SCIELO. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-7203200100090005