O Dia da Mobilização Nacional Pró-Saúde da População Negra, 27 de outubro, foi criado em 2006. Com objetivo de chamar atenção para criação de políticas voltadas para população negra.

No ano seguinte, ativistas de organizações da sociedade civil ligados aos movimentos negros e mulheres negras e de defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) criaram a Rede Nacional de Controle Social e Saúde da População Negra.

Nos últimos anos, foi observado no Brasil o crescimento de pessoas que se declararam negras (pretas ou pardas). De acordo com o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), negras e negros constituem mais da metade da população brasileira (50,7%). Dados mais recentes apontam que, em 2015, 53,9% das pessoas se declararam de cor ou raça preta ou parda.

A distribuição racial da riqueza é incontestável, em 2014, nos 10% mais pobres, 76% eram pretos ou pardos e 22,8% brancos. Já no outro extremo da distribuição, quer dizer, no 1% com maiores rendimentos da população em 2014, 17,8% eram pretos ou pardos, contra 79% de brancos.

De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em 2008, a população negra representava 67% do público total atendido pelo SUS, e a branca 47,2%. A maior parte dos atendimentos concentra-se em usuários (as) com faixa de renda entre um quarto e meio salário mínimo, distribuições que evidenciam que a população de mais baixa renda e a população negra são, de fato, SUS-dependentes.

Os estudos sobre mortalidade têm nos mostrado que a população negra, por ter menor escolaridade, renda e acesso aos serviços de saúde de qualidade, acaba morrendo pelo que a gente chama de causas evitáveis, como a morte por diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial sistêmica, tuberculose, HIV/AIDS, hepatites virais, e causas violentas. Além de ser o grupo tem maior prevalência de anemia falciforme.

Por esse motivo foi criado a PORTARIA SMS Nº 2283/2016, que Institui a Política Municipal de Saúde Integral da População Negra. Pois a partir do reconhecimento das desigualdades étnico raciais é possível compreender os fatores determinantes no processo saúde doença, analisando as vulnerabilidades.

 

Referências

SITE: ABRASCO. Desigualdade racial no Brasil se expressa também no acesso à saúde. < Disponível em https://www.abrasco.org.br/site/noticias/opiniao/desigualdade-racial-no-brasil-se-expressa-tambem-no-acesso-a-saude/43680/> Acesso em 26/10/2020 https://www.gov.br/mdh/pt-br/navegue-por-temas/politicas-para-mulheres/arquivo/area-imprensa/ultimas_noticias/2012/08/17-08-2013-cooperacao-entre-governo-federal-e-onu-apoia-mobilizacao-pela-saude-da-populacao-negra

Ministério da Saúde. Política Nacional de Saúde Integral da População Negra – uma política do SUS. Brasília, 2017. <Disponível em https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_saude_populacao_negra_3d.pdf>