Doação de leite humano ajuda a salvar quase dois milhões de recém-nascidos

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As estratégias utilizadas pelo Brasil no estabelecimento e ampliação dos Bancos de Leite Humano, bem como as estratégias de doação do leite materno, são iniciativas pioneiras no mundo. Até o ano passado foi possível ajudar a salvar mais de um milhão e oitocentos mil recém-nascidos. Essa é uma marca a ser comemorada no Dia Mundial de Doação de Leite – 19 de maio.

O leite materno é o melhor alimento para bebês até os dois anos de idade, favorecendo o crescimento e desenvolvimento adequado. Em alguns casos, a criança nasce prematura e a mãe não consegue amamentar, mas mesmo a criança que fica internada precisa desse leite para se recuperar, e essa é a maior importância da doação de leite materno: ajudar a dar a vida para outros bebês.

Assim aconteceu com Gisele Bortolini, que teve complicações na gestação e, por isso, a filha Helena precisou nascer prematura. Durante a internação Gisele não teve leite suficiente para amamentar e precisou da ajuda dos bancos de leite.

“É muito difícil ser mãe de um bebê que fica na UTI, é uma uta diária pela vida e você aprende a viver o presente, o dia de hoje. E depois de um tempo eu não consegui ordenhar tudo que ela precisava, eu continuei ordenhando e o que eu não conseguia ordenhar eu tive apoio do banco de leite. Então as mães que doaram leite ajudaram a recuperar a Helena em uma fase tão crucial da vida dela”, explica Bortolini.

A pequena Helena teve ajuda de pessoas como a professora Suzi Machado, que começou a doar leite humano quando a filha Laura nasceu há dois meses. “Tem muitas crianças que precisam. Eu tive a Laura em uma casa de parto, que é mais natural, e lá pude ver algumas mães que não conseguiram amamentar. Foi aí que vi a importância de doar, então acaba que a gente que tem muito leite precisa ajudar quem não tem”, defende.

Os Bancos de Leites Humano (BLHs) do Brasil, foram desenvolvidos há 32 anos pelo Ministério da Saúde e entre os anos de 2009 e 2016, contou com o apoio de mais de um milhão e trezentas mil mulheres doadoras e, aproximadamente, um milhão e meio de litros de leite coletados.

O Brasil possui a maior e mais complexa rede de banco de leite do mundo. Hoje, existem no país 221 BLH em todos os estados e Distrito Federal, e 186 Postos de Coleta, além da coleta domiciliar. Antes de ser distribuído, todo leite coletado nos bancos passa por um rigoroso controle de qualidade e é fornecido de acordo com as necessidades de cada criança.

“Primeiro a gente precisa conscientizar que o leite que a mãe tira não vai faltar para o seu bebê. Segundo, que qualquer quantidade é suficiente. Às vezes as mães podem pensar que meio pote é pouco e por isso não vale a pena doar. Mas um pote pode alimentar até dez crianças”, esclarece Miriam Santos, integrante da Comissão Nacional do Banco de Leite Humano.

Apesar das mobilizações já realizadas, o número de doações de leite humano ainda é baixo em relação à demanda. Hoje, a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano consegue suprir aproximadamente 60% da demanda para os recém-nascidos prematuros e de baixo peso internados nas UTI Neonatais do Brasil. Isso significa que cerca de 40% dos bebês internados que precisam ainda não podem contar com o leite humano na alimentação.

Por isso, o Ministério da Saúde, em parceria com a Rede de Bancos de Leites Humano, realiza este ano, a Campanha Doe Leite Materno. Desta forma, o ministro Ricardo Barros convocou todas as mães a participarem desse ato de solidariedade. “A redução da mortalidade infantil está diretamente relacionada com doação de leite materno. Então ficam aqui todas as mães convocadas a ajudar o Brasil e as crianças do Brasil nesta ação, que é uma ação de amor e de carinho àquelas que precisam”.

O que é preciso para doar

Toda mulher que amamenta é uma possível doadora de leite materno, basta estar saudável e não estar tomando nenhum medicamento que interfira na amamentação. Quem quiser doar, pode procurar o banco de leite humano mais próximo ou ligar para o Disque Saúde, pelo número de telefone 136.

Para a coleta, a doadora deve lavar bem as mãos e os braços, até o cotovelo, com bastante água e sabão, cobrir os cabelos com lenço ou touca e usar um pano ou máscara sobre o nariz e a boca. As mamas devem ser lavadas apenas com água e, em seguida, secas com toalha limpa. A coleta deve ser feita em local limpo e tranquilo. O leite extraído para doação pode ficar no freezer ou no congelador da geladeira por até 10 dias. Nesse período, deverá ser transportado ao banco de leite humano mais próximo.

Fonte: Ministério da Saúde. Doação de leite humano.

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